Enquanto isso, percebe-se o crescimento assustador de outra doença – esta social – estimulada pela forma com a qual o Governo faz política: a corrupção. É um mal que assola toda a esfera do Governo. Está enfronhado no projeto criado para se manter no poder. É um modus operandi partidário.
Em seu artigo publicado no domingo nos principais jornais do país, Fernando Henrique Cardoso admite que “a corrupção e, mais do que ela, o “fisiologismo” e o clientelismo tradicional sempre existiram”. Mas o que escandaliza o octogenário ex-mandatário é que “o que era episódico se tornou sistema” – nas palavras dele. “Os partidos exigem ministérios e postos administrativos para obter recursos que permitam sua expansão”. FHC atribui a Lula o fato de ter legitimado a “cara dura” daqueles envolvidos com corrupção: “A aceitação tácita desse estado de coisas por um líder popular ajuda a transformar o desvio em norma mais ou menos aceita pela sociedade”. É uma nicotina que envenena o jogo político.
Em cada uma das pastas foram estabelecidos feudos que sangram o estado e criam redes de arrecadação que fortalecem partidos que se alugam e contas particulares de pessoas que se vendem. O próximo a tragar fumaça será o ministro do Trabalho, mas só o tempo – ou uma denúncia – dirá que são todos viciados.
Como pontas inúteis – muitos tentando manter-se em brasa – diversos ministros já foram “apagados” no cinzeiro. Curioso e triste, em parte, é que toda investigação partiu de órgãos da imprensa. O Governo fez de tudo para fumar as bitucas até o final. Difícil saber se as investigações contra Antonio Palocci, Alfredo Nascimento, Wagner Rossi, Pedro Novaes e Orlando Silva continuam. Eles – que se demitiram com a desculpa de que assim teriam mais tempo para provar inocência – nada provaram. Mas já são virtuais candidatos às próximas eleições.
Antes mesmo de ser descartado como a próxima guimba, o ministro do Trabalho Carlos Lupi não se preocupa em provar que houve um engano nas acusações que lhe fazem. As mesmas que fizeram aos outros. Limita-se a dizer “morro, mas não jogo a toalha”. Deve ser muito bom ser ministro. Melhor ainda ser partido de apoio ao Governo.
Pois não é que o PDT – assim como o PMDB, PR e o PC do B – já está fazendo o mesmo teatro? Sua cúpula afirma que as denúncias são muito graves, defende investigações imediatas e diz que vai cobrar explicações do ministro. Quando tudo isso acabar, também o PDT manterá sua pasta ministerial e anunciará que nunca mais vai se envolver com estas ONGs – instituições originariamente sem fins lucrativos onde estão armazenados todo o alcatrão e a nicotina deste mundo.
Diferente da profissional que limpa nossas casas, dando uma geral em todos os cômodos a cada empreitada, a faxineira oficial prefere manter uma rotina diferente. Lê uma revista por semana para depois limpar um único cômodo – já empoeirado e cheio de insetos. Pior: ela nunca limpa os cinzeiros.
Fonte:http://opiniaoenoticia.com.br

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